Nota do autor - "Talvez fosse magia"

 

         Quando todos me perguntam porque é que este livro é o meu último livro, eu não sei bem como me exprimir. Aqui vai a razão: eu nunca fui bom a escrever sem erros ortográficos. Deus me deu uma imaginação enorme. Com um lápis sei construir uma história, mas infelizmente não me deu o dom de escrever bem, por isso tenho sempre que pedir às pessoas para me corrigir e normalmente elas não querem perder tempo. Por isso foi uma sorte o professor Paulo ajudar-me neste livro. Por isso caros leitores, “O Talvez fosse magia” irá ser o meu último livro. Meu último livro… às vezes penso, já passaram 10 anos desde o meu primeiro livro, quando eu era o autista mais popular do país e todos queriam falar comigo. Agora sou um autista esquecido, ninguém quer saber dos meus livros e os verdadeiros amigos, que ao lerem isto, saberão que falo deles, porque compram os meus livros fielmente. Comecei com um livro sobre autismo e termino com um livro sobre autismo, mais precisamente sobre a síndrome de Asperger. Não usei nenhuma referência aos meus amigos que conheci nesta minha vida. São personagens originais às quais dediquei muito carinho, durante muito tempo. Agradeço mais uma vez ao meu amigo Hugo Rios por me apoiar neste livro e me ajudar sempre que lhe peço ajuda. - Hugo vou fazer outro livro, ajudas-me? - Lá vamos nós outra vez. A História deste livro foi baseada numa música com o mesmo nome de uma tuna académica de Paços de Brandão chamada “Loco Mui-Tuna. Neste livro eu tento explicar o que é o amor na perspetiva de dois Aspergers, a Yui Minamoto e o Lorenzo Pellegrini. Em 2008 fui a um congresso organizado por Aspergers em Inglaterra, chamado Autscape e convivi com muitos Aspergers que me ajudaram a contruir as personagens do meu livro. Lorenzo é um asperger aventureiro que foi diagnosticado com autismo muito cedo, mas isso nunca o afetou. Prova disso é que muito novo pegou na sua moto e fez uma viagem por este mundo fora. A Yui Minamoto foi diagnosticada com Síndrome de Asperger já tarde por isso estudou e doutorou-se, mas não conseguiu tirar a carta de condução e odeia ir de autocarro para o emprego. Por isso apanhar o autocarro para o emprego já é por si uma aventura. A Yui é o que eu gostaria de ter sido e transmito isso nessa personagem.               Tento explicar às pessoas o que um Asperger sente no amor, porque ainda custa entrar na cabeça das pessoas que um Asperger pode namorar, muitos deles são casados e até têm filhos. Uma amiga inglesa com síndrome de Asperger chamada Kelly tem filhos e no ano passado ela teve o seu quinto filho. No autscape havia um velhote asperger que foi pai muito tarde e então ele andava atrás dos filhos no congresso que não paravam quietos. A sua esposa, também asperger, dizia:  - Vai tu atrás deles. Tu é que quiseste filhos. Enquanto escrevia esta história eu ouvia um CD do cantor Japonês Mitohiro Hata. Nele existe uma música chamada “Hai” que é o tema da Yui e o Lorenzo. Lorenzo no livro fala muito dessa música. De como é a sua preferida quando ouve com a Yui no quarto dela. Existe outra música do cantor Yamazaky Masayoshi chamada “One more time, one more chance “. É o tema do Lorenzo nos últimos capítulos, quando eu falo da perda, da dor do luto. Como um Asperger reage ao luto, à perda de alguém que gostamos muito. Espero que gostem de ler o “Talvez fosse magia” tal como eu gostei de o escrever. 

                                                                                                                                      André Vilaça









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