prefácio "Artbook 1 " escrito pelo o meu sobrinho mais velho Filipe Vilaça

 

Era uma vez um rapaz que não tinha muitos amigos, mas que apesar de tudo tinha família.

Casta essa que tinha um elemento muito peculiar, e não, não era o rapaz com poucas amizades mas sim o tio desse rapaz que toda a gente dizia ter um “problema” mas que na visão desse rapaz o único problema que ele poderia ter era ser divertido…

Para um rapaz de poucas amizades ter um tio com esse “problema” acabou por lhe sair a sorte grande, que melhor tio do que aquele que te leva ao cinema, participa nas tuas brincadeiras, partilha bons momentos a frente da televisão assistindo desde programas infantis a filmes de culto.

Que te mostra bandas da sua geração e todo um monopólio de cultura que provavelmente esse rapaz não teria acesso se não lhe tivesse saído a sorte grande de ter um tio com um “problema”.

Decerto que o tio do rapaz condena e/ou condenou o facto de esse “problema” existir, mas a vida ensina-nos que aqueles que se concentram no que esta de errado e não no que esta certo acabam por falhar miseravelmente na vida. Não nascemos para rogar pragas ao nosso mal e nos interrogarmos do porque nós, mas sim para viver. E aqueles que conseguem colher os bons frutos da vida acabam por aproveitar mais dela e daquilo que ela tem para dar.

E foi isso que o rapaz fez, apanhou o melhor da sua vida e fez disso um precioso elemento na sua personalidade. Caso para lhe dizer que saiu a sorte grande, mas nada disto seria possível sem o teu tio que o único problema que tem é a sua amizade, que pelos vistos é muito mal vista por muita gente na sociedade de hoje em dia.

E este artbook é prova disso, quase todos os desenhos são direcionados nesse sentido. A amizade que André Vilaça consegue nutrir é algo que temos de cultivar para que se espalhe e parafraseando Bob Marley “Se todos dermos as mãos quem sacara as armas”. Precisamos de mais gente com este problema! Gente que tenha algo de bom para dar, não devemos negar a ninguém a oportunidade de ser feliz e de fazer os outros felizes independemente de características físicas ou psicológicas.

Eu fui esse rapaz e tive a sorte grande de cair na família do autor deste artbook, onde podem partilhar um pouco da minha sorte ao imaginar um miúdo de 6 anos a nascer com um tio de grande imaginação como este que me calhou. Usufruam da diferença e da diferente perspetivas que ele aqui apresenta.

 

 

Filipe Vilaça




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