Prefácio do "Fenália a coragem é imortal " escrito pelo o meu amigo Zé Luís

                                                                    PREFÁCIO 

 Foi um prazer ler “O Último Rei de Fenália”. Sendo amante da literatura de fantasia e ficção-científica, foi agradável ver as aventuras de Átila e de seus amigos noutro mundo. Uma das grande dificuldades a superar neste tipo de literatura é a fundamentação da história com vários elementos de modo a esta ser credível para o leitor. Pode-se até estar noutros mundos, planetas ou galáxias, mas terá sempre que haver um fio condutor e contextualizador na narração para criar a atmosfera do imaginariamente possível. Neste livro, André Vilaça teve o cuidado de ir explicando alguns detalhes do novo mundo, Ilysium, como também criar um Apêndice (que o leitor poderá consultar no final do livro), de modo a apresentar o leitor ao novo universo no qual entrará. Outra curiosidade notada foi a utilização de vários narradores, em conformidade com as situações, permitindo, assim, a visão através de várias perspectivas. O que mais ressalvo na obra, e que foi subtil e elegantemente retratada, é a inclusão simples na sociedade, e em cargos de importância, de pessoas com Síndrome de Asperger. Reparem, durante a leitura, que Átila, portador do Síndrome de Asperger sempre desejou “ser tido em conta” durante a sua vida no “mundo das ilusões”, tendo esta sempre rejeitando-o. Aqui, em “O Último Rei de Fenália”, Átila tornar-se-á rei de Fenália e terá por missão salvá-lo de uma ameaça intransponível. Neste livro, André Vilaça, também portador do Síndrome de Asperger, transmite um grito de revolta para a situação actual da so- 14 ciedade perante as pessoas que o têm. Um grito de revolta contra a inépcia que se estabeleceu em que a ordem a seguir é ignorar em vez que compreender, aceitar e convidar a participar. Será por culpa da nossa edução/instrução prévias que não compreendemos melhor as pessoas nesta situação? Teremos que reeducar-nos para começar a aceitar que os portadores de Síndroma de Asperger são tão, ou mais, capazes do que nós, apesar das sua limitações sociais? Felizmente a situação parece estar a melhorar, mas creio que só se verão resultados práticos dentro de alguns anos. Repare-se na frequência com que já é mencionado em produções literárias, cinematográficas e televisivas (a saga Millenium – livros e filmes; as séries televisivas Glee, Parenthood, Hannibal; biografias – Nascido num Dia Azul, de Daniel Tamet; etc…), para não falar na imprensa noticiosa. Conto que esta obra seja mais um impulso na viragem da sociedade, na mudança de mentalidades, de modo a que o Síndroma de Asperger não seja tido como castrador social, mas somente como uma condição como escrever com a mão esquerda, ou não gostar de vermelho. Boa leitura.


                                                                                                                                      José Luís Santos




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